segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CORNO DE AMALTÉIA


      Essa é antiga, do tempo em que ainda se subia nos ônibus pela porta de trás e descia pela a da frente.

      Neusa, negra linda do alto de seu um metro e setenta e cinco centímetros, usava uma calça fusô e um top tomara que caia com babados. Tinha os olhos azuis, herança de uma época triste em nossa história onde a miscigenação era imposta pelos donos de terras às suas escravas indefesas. Não, meus queridos, não ouso usar o termo chulo “mulata” para descrevê-la, essa designação criada por aqueles calhordas para justificar os frutos da escravidão e todas as perversidades contra os escravos, passando a idéia de que eram próximos, mas não pertenciam à mesma espécie dos brancos, eram mulas, um produto hibrido resultante do cruzamento do cavalo com burra ou do jumento com égua... se bem que no segundo caso eram as sinhás que abusavam do... bom, o certo é que ninguém merece ser comparado com mulas. Voltando ao caso, Neusa levantou-se e puxou a cordinha do lotação, o onibus parou no ponto e ela desfilou aquela bunda maravilhosa pelo corredor até a saída, desceu vagarosamente as escadas e seguiu pela calçada.
      Antônio, motorista experiente, acompanhou aquele balançar de cadeiras até ela desaparecer na esquina. Virou-se para o cobrador e falou em alto e bom tom:
      - Cobrinha, eu quero é ser corno!
      - Que é isso, Tônho, ficou louco???
      - Se eu tivesse uma mulher dessa eu ia ser corno... mas, ia ser um corno feliz!!!

MORAL:
É melhor dividir o chocolate... que roer a rapadura sozinho!



Um comentário:

  1. Fala, Pedrão!!! Muito bons os contos! Continue firme e forte! Abração.

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